MOVIMENTO DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS SEM TETO - MTST / RJ

Construindo a Resistência Urbana / Frente Nacional de Movimentos

Todo apoio aos lutadores e lutadoras do Pinheirinho

#Pinheirinho.



De Guilherme Boulos, coordenação nacioanl e dirigente do MTST SP : "Caros companheiros. Neste momento estamos realizando um ato no palácio do governo de SP em denúncia ao massacre do Pinheirinho. Pela manhã travamos a rodovia Anhanguera, na região de Campinas. Além destas ações, o MTST realizará ainda hoje ações em Brasília e Belo Horizonte. Várias outras ações estão ocorrendo pelo país, com o envolvimento de todas as organizações de esquerda. É muito importante que os companheiros se envolvam. É preciso fortalecer a denúncia dos 3 assassinados no dia de ontem, com total bloqueio da imprensa. Os corpos não foram levados para o IML de São José e estão desaparecidos. Um deles é uma criança de 4 anos de idade, que chegou morta ontem as 18 hs ao PS Vila Industrial, após levar 1 tiro de borracha no pescoço. Temos várias testemunhas, mas os hospitais - por ordem expressa da prefeitura e da PM - não confirmam as informações, temendo ampliar a indignação e a resistência. É fundamental utilizarmos nossos canais para denunciar estes fatos".



Desocupação do Pinheirinho (SJC): imagens não divulgadas pela grande mídia:

http://www.youtube.com/watch?v=H8pPOYHmkCc&feature=player_embedded



Ataque da PM no alojamento:

Forças de choque da Polícia Militar atacando o interior do alojamento cedido pela própria Prefeitura de São José dos Campos para abrigar moradores desocupados do Pinheirinho. No alojamento provisório estavam famílias inteiras, crianças, idosos e pessoas portadoras de necessidades especiais. Uma criança foi levada carregada para a ambulância que estava montada em uma tenda enquanto os policiais continuavam a jogar bombas em direção aos moradores. Aqui pode-se ver que algué´m é socorrido pela ambulância.

http://www.youtube.com/watch?v=nH3OBLdJYTE



Pinheirinho - Testemunha vê criança gravemente ferida:

http://soundcloud.com/pinheirinhosjc/pinheirinho-testemunha-v-crian


Grande mídia:
Ordem dos editores é falar em “ordem de despejo”/Proibido falar a palavra “moradia” ao falar de Pinheirinho/Nunca direcionar matérias com o foco do direito humano à moradia. São “invasores”, se quebrarem alguma coisa “vândalos”, e obrigatoriamente “sem teto"/Proibido citar Naji Nahas. Ao dar os números, usar as estatísticas da Prefeitura, que “elimina” milhares de moradores e fala em 1.500 pessoas e não 9.500./No máximo, tratar como pessoas, nunca como “seres humanos”. De Gustavo Barreto, jornalista
http://www.fazendomedia.com/pinheirinho-e-nessas-horas-que-o-jornalismo-da-grande-midia-mostra-a-cara/

Para quem ainda tem dúvida sobre a legalidade da ação:
Por que será que a PM está tomando todas as câmeras e celulares de quem está acompanhando a reintegração em Pinheirinho? Por que será que as autoridades que apoiam a população não podem entrar, como o Deputado Estadual Carlos Giannazi (PSOL), Deputado Federal Ivan Valente (PSOL) e do Senador Eduardo Suplicy (PT)? Não estam fazendo tudo dentro da mais absoluta legalidade?

Mais informações sobre a (i)legalidade da reintegração:
Direito, Estado e terror no caso do Pinheirinho:
http://armadacritica.blogspot.com/2012/01/direito-estado-e-terror-no-caso-do.html

Nos ajude a divulgar esta barbárie. São seres humanos, não podemos nos calar frente a atrocidades. Não podemos deixar impune. A terra tem que cumprir sua função social, como previsto na Constituição Federal de 1988 e o Estatuto das Cidades, de 2001.
De que lado você está?

RESPOSTA do MTST do Rio de Janeiro ao comunicado da Coordenação Nacional do MTST

Comunicado do MTST do Rio de Janeiro

O MTST inicia sua reconstrução no Rio de Janeiro em meados de 2007 na ocupação Carlos Marighella. Nele se encontram lutadores sociais oriundos de várias tradições políticas que se somaram em diversos momentos e a partir de várias ações e experiências de atuação conjunta na luta pela moradia e por uma Reforma Urbana popular e classista. Ao longo desses anos companheiros foram assassinados e muitos outros ameaçados de morte ou perseguidos.

Em nenhum momento afirmou-se que implantamos em toda a sua plenitude as formas de organização e atuação do MTST no estado. Tem-se muito claro os limites do trabalho político de luta pela moradia e pela reforma urbana desenvolvido no Rio de Janeiro. A opção do MTST pela autonomia política e luta direta é o caminho correto, mas, por outro lado, não é dos mais fáceis de serem postos em prática.

Contudo, essa realidade não justifica a decisão da Coordenação Nacional do MTST em sua reunião nacional, em São Paulo, no dia 10 de dezembro último pela intervenção e dissolução do movimento em nosso estado. Os motivos alegados foram a “inorganicidade” do MTST no Rio de Janeiro, aprofundada pela “dupla militância”.

A utilização desse método de organização semelhante aos de gestão de grandes empresas não causa surpresa, pois há tempos observa-se sua adoção na resolução de questões organizativas nas instâncias nacionais do MTST e no processo de ampliação nos estados. Esse método é fruto de um longo processo de centralização das decisões do Movimento causado pela crise organizativa que o atingiu há alguns anos e o reduziu ao MTST do estado de São Paulo.
Para continuar existindo e ampliar para outros estados, o núcleo dirigente de SP assumiu o papel de articular nacionalmente a ampliação nacional do MTST. Para cumprir essa tarefa, “aposta” em militantes ou grupos de militantes nos estados que assumam a direção política e respectivas “metas” estaduais a serem atingidas. Havendo um problema que desvia a atenção do “foco” e quando as “metas” definidas não são atendidas (ocupações, ampliações, participação em Jornadas, na CSP-conlutas, etc), essa realidade é tratada simplificadamente como um problema de gestão e/ou falta de empenho e é resolvida rapidamente com o afastamento do militante ou a dissolução daquela instância, se iniciando uma nova “aposta” em outros militantes.

Por outro lado, a utilização desse método de gestão empresarial nas ampliações e na organização nacional do movimento inseriu as discussões políticas na lógica do militantismo - ênfase na intervenção e desconsideração da teoria - norteada por metas e possíveis sanções para garantir a sobrevivência e a ampliação do Movimento. Essa realidade somada à falta de uma política de formação coletiva que permita aos militantes – ou pelo menos aos dirigentes – se apropriarem efetivamente de conceitos e categorias que lhes possibilitem debater efetivamente os rumos do Movimento, abriu espaço para que esse núcleo dirigente de São Paulo começasse a definir os rumos e a organização paralelamente às instâncias do MTST.

Essa prática transformou as reuniões das instancias nacionais em espaços onde apenas são referendadas as decisões previamente articuladas por esse pequeno núcleo e qualquer divergência, quando não é possível de ser resolvida por fora das instancias evitando o debate político coletivo, é tratada como algo que pode comprometer a sobrevivência do Movimento.

Os reais motivos que levaram a essa intervenção no Rio de Janeiro são divergências políticas concretas que vieram se acumulando entre os militantes do MTST do Rio de Janeiro e esse núcleo dirigente de São Paulo que hegemoniza a CN do MTST e age paralelamente às instâncias do movimento.

A primeira divergência política é a necessidade de definir claramente o caráter do MTST. Para o MTST do Rio de Janeiro a escolha de um trabalhador ou trabalhadora sem teto pelo MTST ocorre em função da necessidade e da opção pela luta direta por moradia e posteriormente o trabalho coletivo e de formação aprofunda sua identidade com a linha política e os princípios organizativos do Movimento.

Como foi aprovado no I Encontro nacional em maio de 2011 e com a participação dos militantes do MTST do Rio de Janeiro, o MTST é um movimento dos trabalhadores sem teto que luta por moradia e por uma Reforma Urbana popular e classista (documentos aprovados estão disponibilizados em: http://mtstrj.blogspot.com).

Assim, o MTST é uma organização política que deve ser autônoma, ampla e democrática, pois deve mobilizar, conscientizar e organizar sem teto que pertencem as mais variadas tradições políticas, étnicas, religiosas etc. Enquanto movimento social deve ter total autonomia com relação aos partidos políticos. Autonomia significa que são as instâncias do Movimento que devem tomar as decisões. Nessas instâncias, todos devem ter o direito de defender suas posições, organizados ou não em partidos.

Ao contrário do que afirma esse núcleo dirigente de SP o MTST não é uma organização política revolucionária (será um partido?) dos trabalhadores sem teto onde a identidade se daria pela concordância com um pretenso projeto estratégico revolucionário dos sem teto que não é discutido nas instancias do Movimento, inexiste nos documentos aprovados no I Encontro e é “clandestino” para a maioria dos membros da coordenação nacional e, principalmente, para as bases das ocupações e comunidades.
A segunda divergência se dá com o surgimento da CSP-conlutas. Desde o início o MTST do Rio de Janeiro questionou a continuidade da participação do MTST na central que surge a partir do fracasso do CONCLAT. Afinal, ficava difícil de escamotear que a Central que surge do CONCLAT não foi a mesma que o MTST se engajou de forma militante quando se envolveu na realização do mesmo.
A esse questionamento foi contraposta a possibilidade de termos um papel ativo na repactuação com os setores que abandonaram o CONCLAT e a possibilidade concreta de superação das necessidades estruturais para a construção nacional do MTST a partir dos recursos da Central e foi aprovado que caso a repactuação não ocorresse, ocorreria uma reavaliação da nossa permanência na Central.
A repactuação não ocorre e a CSP-conlutas se consubstancia cada vez mais como uma correia de transmissão das políticas do PSTU e da LIT. Nessa lógica, o MTST, outros movimentos e sindicatos presentes minoritariamente na central apenas legitimam esse hegemonismo.
Porém, o que passamos a observar na prática é uma crescente aproximação política com o PSTU demonstrada pela equivocada aparição de um dirigente nacional e histórico do MTST de SP em um programa eleitoral do PSTU. A isso se somou o crescente mal-estar desse grupo de SP cada vez que a questão da avaliação da participação na Central ou a proximidade com o PSTU era levantada nas discussões.
São esses posicionamentos minoritários a nível nacional e majoritários no Rio de Janeiro que a CN do MTST, aparelhado por esse núcleo de dirigentes de SP, denomina de “dupla militância”.

O fato de militantes do MTST do Rio de Janeiro serem filiados a alguma organização política em nenhum momento afetou as decisões autônomas ou impediu o trabalho político do Movimento no estado. As decisões tomadas coletivamente sempre foram respeitadas pelo conjunto dos militantes. A única exceção foram dois militantes “indicados” pelo núcleo dirigente de SP para se integrar ao MTST do Rio de Janeiro, que ao mesmo tempo que implementaram uma prática fracionista, foram sendo paulatinamente “abduzidos” pelo núcleo de dirigentes de SP para se tornarem membros da CN do MTST sem nenhum respeito pelos princípios do Movimento e participando ativamente pelo processo de intervenção no Rio de Janeiro seja nos bastidores ou nas reuniões da CN do MTST.

Por fim, o que a CN do MTST denominou de “inorganicidade” do MTST do Rio de Janeiro nada mais é do que a série de dificuldades naturais de implantar um movimento com as características propostas nos princípios e linha política do Movimento e que foram artificialmente aprofundadas nos últimos sete meses pela experiente prática fracionista dos dois militantes “abduzidos” pelo grupo de SP ao CN do MTST.

A luta nos movimentos sociais leva naturalmente ao posicionamento a partir de posições políticas. A organização política é natural, progressiva e inevitável. O que não é possível concordar é com a resolução das contradições políticas por meio da “expulsão” branca dos que defendem as posições políticas minoritárias, ainda mais, através de uma intervenção que aponta que o processo de adoção de métodos de gestão empresariais no movimento agora se amplia para ser utilizado na resolução das divergências políticas.

Essa intervenção no MTST do Rio de Janeiro tem como objetivo impedir a participação nas discussões relativas ao I Congresso da CSP-conlutas e o aprofundamento do debate sobre o caráter do MTST e seu projeto estratégico. Dentro desse contexto o MTST do Rio de Janeiro, de acordo com os princípios organizativos aprovados no I Encontro Nacional do MTST, não reconhece essa decisão autoritária do CN do MTST.  
Rio de Janeiro, 19 de dezembro de 2011
MTST do Rio de Janeiro

INTERVENÇÃO no MTST do Rio de Janeiro

 Hoje tivemos acesso durante a reunião de coordenação do MTST do Rio de Janeiro ao comunicado abaixo que está sendo distribuído no Rio de Janeiro pela Coordenação Nacional do MTST e que ainda não foi enviado aos militantes do MTST do Rio de Janeiro:

COMUNICADO SOBRE O MTST/RJ

Aos militantes e aliados do MTST:

         O Rio de Janeiro tem sido o principal palco da política de criminalização e segregação social desenvolvida pelo Estado brasileiro nas periferias urbanas do país. Desde os Jogos Pan-Americanos, passando pela preparação para a Copa-2014 e Olimpíadas-2016, o Rio se converteu num verdadeiro laboratório de atrocidades contra os trabalhadores mais pobres, moradores de favelas e comunidades periféricas. Militarização, despejos e higienização são as receitas que tem tido o Rio como modelo.

          Por essas razões, o MTST considera essencial uma atuação efetiva no Rio de Janeiro, buscando fortalecer a necessária resistência a estes ataques. Para tanto, é imprescindível um trabalho de base enraizado nas comunidades afetadas e uma organização capaz de construir mobilizações massivas.

          Infelizmente, o coletivo de militantes do MTST/RJ não tem avançado no sentido de encarar estes desafios. Não há atualmente um trabalho de base consistente, nem tampouco um debate efetivo de como fazê-lo, o que se expressa inclusive na ausência de participação do MTST/RJ no conjunto de mobilizações e jornadas nacionais construídas pelo MTST e pela Resistência Urbana – Frente Nacional de Movimentos, nos últimos anos.
          A Coordenação Nacional do MTST avalia que este problema remete a duas razões fundamentais: (i) a falta de organicidade, coesão e incorporação do método de trabalho de base do Movimento pelo coletivo do MTST/RJ; (ii) o envolvimento prioritário de alguns dos principais militantes do coletivo do MTST/RJ na construção da organização político-partidária de que fazem parte, o que gerou uma incompatibilidade na dupla militância.
          Por isso, a Coordenação Nacional do MTST decidiu pela dissolução do Coletivo do MTST/RJ, seguida de um esforço de construção efetiva do Movimento no Rio de Janeiro, pautado pelo trabalho de base. Por entender que o coletivo do MTST/RJ não encontra-se em condições de levar adiante esta proposta, este esforço será empreendido e acompanhado diretamente pela Coordenação Nacional do MTST.

Coordenação Nacional do MTST
São Paulo – 16/12/2011

Comunicado do MTST do Rio de Janeiro

No dia 10 de dezembro de 2011 ocorreu a reunião da Coordenação Nacional do MTST em São Paulo. Nessa reunião foram aprovadas deliberações significativas em relação ao movimento no Rio de Janeiro. O MTST RJ divulgará imediatamente o documento da CN do MTST com as deliberações sobre o Rio de Janeiro assim que o recebermos da CN do MTST. 

MTST RJ ! A LUTA É PRA VALER!

O sonho e a luta dos sem teto continuam em Itaguaí

No dia 24 de novembro ocorreu o despejo de parte da ocupação de sem teto, apoiada pelo MTST RJ, as margens da Rio-Santos em Itaguaí. Os ocupantes continuam resistindo em menos de 1/3 do terreno ocupado que não estava incluído na ordem de despejo. É importante deixar claro que o terreno estava abandonado, sem cercas ou qualquer tipo de identificação. Já não é de hoje que o município de Itaguaí sofre um inchaço populacional devido à atração pela possibilidade de empregos nas grandes obras e empreendimentos e isso tem se somado a especulação imobiliária que vem aumentando de forma extorsiva os valores dos aluguéis. Some-se a essa realidade a inexistência de uma política habitacional para as famílias de trabalhadores que recebem abaixo de três salários mínimos e entenderemos a dinâmica que leva uma parcela de famílias sem teto a optarem pela luta direta para a conquista de moradia.


Muitos ainda acreditam que essas políticas existem, pois se deixam levar pela propaganda. Porém as políticas habitacionais para essa faixa de renda não dão lucros e portanto só existem nos projetos, nos discursos e nas promessas.
Os sem teto de Itaguaí perderam uma batalha, mas só se perde a guerra quando se abandona a luta e os sem teto continuam mobilizados e se organizando.

Reportagem do Jornal Atual sobre a desocupação